Evento no Dia Mundial do Meio-Ambiente debate descarte adequado de resíduos
Sessão promovida pela Comissão Socioambiental da PRT-4 levou ao Espaço Memória a catadora Paula Medeiros, que deu orientações sobre separação, triagem, e sobre a luta dos catadores como categoria
Na tarde desta quinta-feira (3/12), foi realizada no Espaço Memória da sede do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) uma palestra da catadora Paula Medeiros, presidente do Centro de Triagem da Vila Pinto e coordenadora do Fórum dos Catadores de Porto Alegre, para esclarecer sobre práticas e processos corretos de separação de resíduos. O evento também contou com transmissão via Teams para unidades do Interior e para quem não pôde comparecer presencialmente.
A atividade, que marca o Dia Mundial do Meio-Ambiente, foi uma realização da Comissão Socioambiental do MPT-RS, e contou com a participação de procuradoras, procuradores, servidoras, servidores e equipe terceirizada. O evento teve apresentação da coordenadora da Comissão Socioambiental, procuradora Fernanda Arruda Dutra, e contou com a presença da procuradora-chefe em exercício Martha Diverio Kruse. Também compareceu o desembargador Cláudio Antônio Cassou Barbosa, representando o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RS).
Graduanda em administração de empresas, Paula Medeiros é catadora há quase três décadas, engajada na luta para que sejam cumpridas as Políticas Públicas relacionada aos Resíduos Sólidos Urbanos. Ela iniciou sua fala recuperando o histórico da luta dos catadores pelo reconhecimento da categoria e o histórico do tratamento do lixo na cidade, dos grandes lixões instalados na Capital até os anos 1970 até a recente e acidentada relação da prefeitura, que prepara um projeto de privatização e automação da reciclagem por uma única empresa, e o impacto que isso teria sobre a categoria, composta por 7 mil pessoas dedicadas à reciclagem na Capital.
A catadora também fez uma análise das mudanças nas políticas públicas referentes à reciclagem, além de exibir vídeos de apresentação do Centro de Triagem e do Centro de Educação Ambiental (CEA) da Bom Jesus, em que atua. O centro foi criado nos anos 1990 pela líder comunitária Marli Medeiros e se tornou um polo comunitário com creche, biblioteca, cozinha e horta comunitária.
Na parte final de sua fala, apresentou informações práticas, muitas delas pouco conhecidas, sobre separação de resíduos e potencial de reciclagem ou não de determinados materiais. Pacotes plásticos laminados de salgadinhos, massas e congêneres, por exemplo, não são recicláveis, bem como garrafas plásticas de leite que têm substituído as embalagens Tetrapak. Ela reforçou, contudo, que a separação desse tipo de material seco do lixo “molhado” ainda assim é uma atitude positiva.
“Mesmo que não seja um material passível de reciclagem, vai para a triagem e ali nós encaminhamos para descarte, evitando que esses resíduos se desviem para a calçada, a sarjeta, o esgoto. Mas nosso objetivo é sempre conscientizar dessas informações, porque quem tem contato com essas elas depois vai pensar mais nisso quando estiver no mercado, por exemplo".
Ao final da palestra, o servidor da PRT-4 Vinícius Dornelles, da Divisão de Administração, fiscal do contrato do serviço de limpeza da regional, falou brevemente sobre a sistemática das ações de coletas de resíduos na sede do MPT-RS. Segundo ele, trabalha-se na regional com a separação em seis tipos de resíduos: orgânicos, recicláveis secos, vidros, cápsulas de café, metais e, por último, pilhas e material de informática (este último não coberto pelo contrato). Ele ressaltou que é necessário conscientização da equipe na sede para evitar descarte inadequado que compromete a eficiência do trabalho e até a segurança das trabalhadoras terceirizadas
“As lixeiras de cada sala da PRT-4, por exemplo, não devem ser usadas para descarte de resíduos orgânicos. Esse tipo de lixo deve ser descartado no local apropriado, nas lixeiras presentes nas copas de cada andar. Nas copas também há caixas específicas, abaixo das pias, para descarte de vidros, evitando riscos para as trabalhadoras”, comentou.
Tags: Junho








