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Começa operação do MPT no hospital Tacchini (em Bento Gonçalves)

Força-tarefa busca adequar saúde e segurança no trabalho em hospitais no Rio Grande do Sul; Mãe de Deus e Conceição (em Porto Alegre) e Unimed Caxias do Sul foram os primeiros investigados; relatórios dos parceiros instruirão inquérito civil instaurado; calendário prevê, até o final de 2017, realização de várias outras ações

Hospital Tacchini está localizado na rua Dr. José Mario Mônaco, 358, Centro de Bento Gonçalves
Hospital Tacchini está localizado na rua Dr. José Mario Mônaco, 358, Centro de Bento Gonçalves

    Começou, às 8h desta terça-feira (6/12), no Tacchini, em Bento Gonçalves, (razão social Associação Dr. Bartholomeu Tacchini), a quarta operação da força-tarefa de adequação das condições de saúde e segurança no trabalho em hospitais no Rio Grande do Sul. A unidade está localizada na rua Dr. José Mario Mônaco, 358, Centro. O grupamento operativo é coordenado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O objetivo é investigar condições de saúde e de segurança dos trabalhadores, em todos os postos de trabalho, à semelhança do que é feito nos frigoríficos, desde janeiro de 2014. Os principais problemas enfrentados no setor são doenças de coluna pelo esforço de movimentar pacientes, acidentes com perfurocortantes e contaminação biológica.

Terça-feira, 8h: grupamento operacional chega de surpresa ao hospital e é recebido na Superintendência
Terça-feira, 8h: grupamento operacional chega de surpresa ao hospital e é recebido na Superintendência

     O grupo foi recebido pelo superintendente executivo Hilton Roese Mancio. O Tacchini tem 24 mil m² de área construída e 1.508 empregados. Foram solicitados 75 documentos ao nosocômio. Os integrantes da operação se dividiram em quatro equipes para otimizar a fiscalização: ergonomia, saúde do trabalhador e da trabalhadora / dimensionamento de pessoal, segurança e habilitação / responsabilidade profissional. A inspeção deverá se estender até a próxima sexta-feira (9/12), quando a empresa será notificada do resultado. Na tarde de segunda-feira (5/12), os integrantes da força-tarefa reuniram-se na sede do MPT em Caxias do Sul, para ultimar os preparativos da operação.

Clique aqui para acessar a relação de documentos solicitados ao hospital.

Segunda-feira, 16h: integrantes da operação reúnem-se na sede do MPT em Caxias do Sul para ultimar detalhes
Segunda-feira, 16h: integrantes da operação reúnem-se na sede do MPT em Caxias do Sul para ultimar detalhes

Histórico

     Em 22 de julho, o MPT havia entregue notificação recomendatória ao Hospital Mãe de Deus (HMD), em Porto Alegre, destacando 43 aspectos urgentes de insegurança no trabalho que precisavam de correção. O documento, elaborado ao longo de operação de três dias, realizada de 19 a 21 de julho, foi resultado da primeira operação da força-tarefa. Em 19 de agosto, a Unimed Nordeste RS Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos Ltda, proprietária do Hospital Unimed Caxias do Sul, foi a segunda investigada, na operação realizada de 16 a 18/8. Também recebeu notificação recomendatória para que adotasse providências, visando adequar 64 situações ao disposto na legislação trabalhista.

     Muitos trabalhadores do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) S. A., em Porto Alegre, "pediram socorro" aos integrantes da força-tarefa na terceira operação realizada, de 19 a 21 de outubro. Encontrou-se muito mais problemas do que nas ações anteriores. O MPT notificou o HNSC para que, sem prejuízo de outras medidas que venham a ser necessárias em razão das constatações a serem demonstradas oportunamente nos relatórios técnicos e suas recomendações, adotasse 38 providências, visando adequar situações ao disposto na legislação trabalhista. Também foi recomendado pelo MPT que o GHC observasse todas as determinações nas demais unidades: Hospital Cristo Redentor, Hospital Fêmina, Hospital da Criança, Postos de Saúde, Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Centro de Atenção Psicossocial. naquilo que for aplicável, obedecendo aos mesmos prazos.

     Nos três casos, as empresas tiveram prazos de até 90 dias para realizar as adequações. O MPT recomendou, ainda, a paralisação da atividade ou máquina que apresentasse risco grave e iminente de acidente de trabalho ou adoecimento, se necessário, para viabilizar a correção, sob pena de responsabilização civil e criminal em caso de negligência no cumprimento do dever. Os hospitais devem comprovar o cumprimento dos itens entregando relatórios mensais. O calendário prevê, até o final de 2017, realização de outras ações em vários hospitais gaúchos.

Parceiros

     A operação tem apoio técnico da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), ligada ao Ministério do Trabalho (MT); de 3 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs): Caxias do Sul (5ª), Cachoeira do Sul (8ª) e Erechim (11ª), vinculadas à Secretaria Estadual da Saúde (SES); de 2 Centros Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests): Caxias do Sul (Serra) e Santa Maria (Centro), vinculados aos seus municípios-sede, além do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (CREA-RS). O movimento sindical dos trabalhadores também participa com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Caxias do Sul (Sindisaúde), que abrange 27 municípios da Serra, atingindo cerca de 14 mil profissionais. Relatórios dos parceiros instruirão inquérito civil (IC) instaurado no MPT em Caxias do Sul, unidade administrativa com abrangência sobre Bento Gonçalves.

     A ação tem participação de 21 integrantes. Pelo MPT, o representante estadual da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), procurador do Trabalho Ricardo Garcia (lotado em Caxias do Sul), a assistente social da Assessoria de Planejamento, Gestão Estratégica e Serviço Social (Apges), Vitória Raskin, e o chefe da Assessoria de Comunicação do MPT-RS, jornalista Flávio Wornicov Portela (ambos de Porto Alegre). Entre os parceiros, pelo Centro Estadual do Rio Grande do Sul (CERS) da Fundacentro, a chefe de Serviços Técnicos, engenheira de segurança Cristiane Paim da Cunha.

     Pela Saúde, 8 profissionais: 3 das CRSs, a fonoaudióloga Bruna Campos de Cesaro (Caxias do Sul) e os fiscais sanitários Solange Terezinha Alves de Oliveira (também especialista em saúde, Cachoeira do Sul) e Ronaldo Ribeiro Bicca (também dentista, Erechim); e 5 dos Cerests Regionais, a médica Rosa Maria Salaib Wolff (Santa Maria), a fisioterapeuta Ida Marisa Straus Dri, a enfermeira Gabriela D'Agostini Arcari, o técnico em segurança Ben Hur Monson Chamorra e o fiscal sanitário Glediston Jesus Dotto Perottoni (os quatro de Caxias do Sul).

     O CREA atua com 4 profissionais: a supervisora de fiscalização da Serra / Sinos, Alessandra Maria Borges (Caxias do Sul), o engenheiro mecânico do Núcleo de Suporte Técnico da Fiscalização, Gelson Luis Frare, e os agentes-fiscais Emerson Jauri Rinaldi e Sérgio Durli (ambos da Inspetoria de Bento Gonçalves). A ação foi acompanhada, ainda, por 3 dirigentes do Sindisaúde: presidente Danilo Gonçalves Teixeira, secretária-geral Bernadete Giacomini e diretor Fabrício Soares Borges. Estão acompanhados da fisioterapeuta do trabalho e especialista em ergonomia Carine Taís Guagnini Benedet (Caxias do Sul) e do jornalista Jânio Luiz de Medeiros.

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Foto áerea: divulgação Tacchini
Texto e fotos internas: 
Flávio Wornicov Portela (reg. prof. MT/RS 6132) enviado especial
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